Modelos meteorológicos: Tudo o que precisa saber

Previsão numérica do tempo – Wikipédia, a enciclopédia livreExistem diversos modelos meteorológicos, ou seja uma espécie de software que prevê o tempo com recurso a supercomputadores, através de cálculos e equações extremamente complexas

Tentam simular a atmosfera, com base em dados recolhidos inicialmente, com aquilo que sabemos sobre o comportamento da atmosfera

Existem diversos, sendo os mais famosos o Europeu ECMWF\IFS, o Americano GFS, o canadiano GEM, o britânico UKMO, entre outros menos conhecidos, como o alemão ICON, o japonês JMA…

Todos eles têm pontos fortes e pontos fracos – sendo que nenhum deles é perfeito, nem acerta sempre

É sabido pela comunidade meteorológica que o Europeu ECMWF é o melhor modelo meteorológico do mundo de forma muito consistente, sendo raramente ultrapassado pelos outros nas verificações

No entanto isto não quer dizer que esteja sempre mais certo que os outros, simplesmente em média tem um desempenho melhor e fica mais próximo da realidade

No geral o modelo britânico UM\UKMO é considerado o segundo melhor, embora esse modelo apenas alcance 6 dias de previsão

Todos os outros estão numa categoria à parte, sendo também bons no entanto, e andando normalmente na disputa pelo terceiro lugar nas verificações

Assim, se é apaixonado por meteorologia e gosta de olhar aos modelos e tentar prever a 5\7\10 dias, qual modelo deve utilizar?

Bem a verdade é que deve tentar ver todos e a sua evolução a cada atualização. Tentar perceber tendências e mudanças, pois olhar apenas para um modelo seria extremamente redutor – e como já disse o Europeu ECMWF também falha, e isso é um erro que por exemplo verificamos no IPMA, pois usando apenas um modelo meteorológico, quando esse modelo falha, a previsão IPMA falha também

Para terminar temos os gráficos relativos aos últimos 30 dias, em que podemos ver o modelo Europeu no topo em todos eles, seja a 6 dias, a 8 dias, seja em altitude ou à superfície

O modelo UM\UKMO está em segundo a 6 dias de distância, igualado com o GFS, seguido de perto por todos os outros

A 8 dias o japonês JMA tem sido consistentemente melhor que o GFS a 1000hPA, mas muito inferior a 500hPA e o GFS tem sido ligeiramente melhor que o canadiano GEM, embora muito perto normalmente

A nova versão do GFS tem apresentado resultados semelhantes à anterior, embora seja uma grande melhoria em termos de resolução vertical por exemplo – teremos de ver se no futuro essa melhoria também se traduz em melhores previsões

O IFS terá nova atualização no dia 12 de Outubro que parece trazer melhorias

No fundo, resumindo, esta seria a hierarquia de modelos meteorológicos, tendo em conta as verificações
ECMWF > UKMO > JMA = GFS = GEM = ICON > Todos os outros

144H, 500hPA -> 192h 500hPA -> 192h 1000hPA (Animação GIF)

Modelos 1


ENSEMBLES…

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Os modelos são compostos por uma saída operacional e depois por vários membros ou “perturbações”

São recolhidos muitos dados de balões meteorológicos, bóias, satélites, entre outros, e introduzidos num computador que depois corre uma simulação e tenta reproduzir, com base nas leis da física, o que poderá acontecer com base nesses dados iniciais

Mas os modelos, para além dos erros que podem ocorrer ao processar esses dados, porque os computadores são máquinas e falíveis, também têm de contar com possíveis erros nos dados iniciais, ainda que pequenos podem alterar tudo.

Por isso para além da saída principal ou “operacional” os modelos tem outros membros do ensemble, por exemplo o modelo americano GFS tem 30 membros, enquanto o modelo europeu ECMWF tem 50, e cada um deles irá correr a mesma simulação, mas com dados iniciais ligeiramente perturbados, ou seja para contar com uma “margem de erro” e no fim temos aquilo a que chamamos “ensemble” em que nos primeiros dias provavelmente não haverá grande diferença, mas a partir do 5º dia começa a haver discrepâncias, devido a essa diferença nos dados iniciais.

Com base nos dados dos membros do ensemble podemos calcular a probabilidade de determinado cenário, por exemplo se 25 dos 30 membros do ensemble GEFS mostrarem um cenário de calor, então é provável que venha a ocorrer esse cenário

Nesta altura do ano (outono) os “ensembles” são ainda mais importantes, porque a saída principal do modelo está constantemente a mudar, tornando a previsão extremamente difícil

Analisando os vários membros dos diversos modelos podemos ter uma ideia mais exata de qual a probabilidade de um cenário vir a ocorrer, mas, por vezes, o cenário que parece menos provável ocorre…

Os modelos estão sempre a evoluir e têm neste momento cada vez mais fiabilidade, no entanto, quer por falhas na recolha dos dados iniciais, quer por falhas de computação, quer mesmo por falta de capacidade dos computadores para simular com mais qualidade (o que levaria mais tempo e os modelos passariam a atualizar menos vezes) infelizmente a médio-longo prazo ainda são muito falíveis e um cenário que vêem neste momento num modelo a 300h de distância, digamos, tem pouca probabilidade de ocorrer, pelo menos da forma que está modelada

Com a evolução pode poder computacional é de esperar melhorias, com aumento da resolução de cada perturbação… Mas… Nunca chegaremos a previsões perfeitas, porque não temos conhecimento suficiente para simular a atmosfera a 100%, nem instrumentos 100% fiáveis

Espero que tenham gostado desta explicação de como funcionam os modelos meteorológicos e previsões, e que levem isso em consideração, e percebam que a mais de 5-7 dias não é possível dar uma previsão fiável para um determinado dia…


QUAIS OS MODELOS USADOS PARA AS PREVISÕES LUSO METEO?

A Luso Meteo beneficia os seguintes modelos na escolha para determinadas previsões

  • Curto prazo\previsões de precipitação e\ou nebulosidade – ICON-EU
  • Curto prazo\previsões de vento – ICON-EU
  • Curto prazo – situações de instabilidade – WRF ou AROME
  • Curto\médio prazo, previsões de temperatura – ARPEGE
  • Médio prazo – Ensemble ECMWF e JMA
  • Médio-longo prazo (10\15 dias)  – Ensemble ECMWF + Ensemble GFS + JMA
  • Longo prazo – CFSv2 e ECMWF
  • Ciclones tropicais – Trajetória – Ensembles ECMWF e GEFS (Preferindo o GFS em algumas circustâncias e o ECMWF noutras…)
  • Ciclones tropicais – Intensidade – HWRF

Há muitos outros modelos que utilizamos para as previsões, mas estes são os mais comuns

Podem encontrá-los nos sites Meteociel, Meteologix ou Wxcharts


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